terça-feira, 8 de outubro de 2024

Jeito Antigo

 



 Ir na caixa do correio e encontrar algo personalizado para nós, é hoje um privilégio.

Mesmo com todas as formas mais modernas de comunicação, creio que não há nada que se compare com o recebimento de uma carta por correio. Digo carta de verdade, escrita por alguém que tem uma ligação afetiva real e com reciprocidade.

Desde sua concepção há um vagar, um tempo que alguém destinou para agrupar notícias, estórias e sentimentos em palavras, totalmente direcionadas à você. Uma carta nunca é igual a outra, mesmo que a pessoa vá contar a mesma estória para outra pessoa, ela vai usar diferentes palavras, pois o sentimento em relação aos outros difere.

A carta que escrevemos para alguém é única, espera-se a oportunidade para contar as notícias, boas e ruins, com o empenho de não precisar explicar mais nada, que aquelas palavras bastem para o entendimento do outro sobre determinada experiência vivida.

É muito bom descobrir o envelope na caixa, identificar a letra do remetente, e antecipar o momento de “estar” com aquela pessoa que está longe.

Abrir o envelope com cuidado para não rasgar a carta, desdobrá-la e finalmente ler, atentamente. Por alguns minutos o tempo pára, nos transportamos para a narrativa, construindo imagens e percebendo sentimentos. Já meio tristes de chegar ao fim, retomamos a realidade e o tic-tac do relógio volta a ser percebido.

quinta-feira, 6 de junho de 2024

Educação Familiar


 

“As fundações de nossa capacidade para diferenciar entre bem e mal são assentadas na infância; a princípio no que toca as funções fisiológicas e depois com referência a questões de comportamento mais complexas. A criança adquire um sentimento de distinção entre o que é bom ou mau antes de aprender a diferença pelo raciocínio.” (Erich Fromm – “A  Análise do Homem” - pag 20)

 

Antes de ser mãe costumava ter um olhar crítico observando como as outras pessoas educavam seus filhos.

Assim que me tornei mãe vi que a empreitada é bem mais complicada pois fazemos comparações com base na educação que tivemos, tanto nos erros como nos acertos, essa educação teve um contexto histórico e social bem diferentes do atual. O que se precisa ter em mente é que o bom resultado da educação familiar tem variáveis, tais como: originalidade de cada ser, aspectos (físicos, neurológicos etc) inatos de cada filho, contexto social e a mentalidade vigente, pouco contato dos pais com os filhos por motivos de trabalho e às vezes a falta de habilidade que cada educador(pais ou outros) tem de se comunicar, tratar e reagir junto aos filhos.

Os pais não devem ter medo de perder o afeto de seus filhos ao corrigir as ações que não condizem com os princípios básicos de respeito a si e ao outro, responsabilidade, honestidade, trato cordial, e responsabilidade por seus atos e palavras. Quando os pais são omissos, as crianças se sentem inseguras, sem um “norte”, isso sim, é uma grande abertura para a adoção de valores inversos. A educação familiar é a raiz, a base de um ser humano.

Atualmente os pais têm muita dificuldade de serem firmes e de corrigirem os desvios em tempo real. Existe também uma mentalidade de “reverenciar” os filhos, forma absurda e permissiva, o que lembra a frase “Muitos querem ter filhos, mas nem todos querem ser pais.” Não se deve pensar que as crianças serão educadas na escola, lá é outro ambiente, sendo que a proposta é adquirir conhecimento, a base de valores e princípios deve vir da família. Atualmente poucas escolas trabalham com  filosofia pedagógica, a qual seria o fio condutor de todos os projetos daquela instituição. Algumas tratam os alunos como “clientes” à serem agradados, algo como “vender educação”. A escola que pensa dessa forma tem que fechar as portas em minha opinião. A instituição educacional deve respeitar o aluno e ensiná-lo a respeitar, deve prover uma formação de qualidade e coerente com a filosofia da escola, oferecendo um ambiente sadio, limpo e cheio de estímulos que colaborem para a formação de princípios e valores elevados.  

 A mentalidade deve ser a de respeitar sim as individualidades de cada um, porém um direito se esvai quando o desrespeito se inicia pela outra parte, principalmente se ela for menor de idade. A criança na primeira infância (0 a 6 anos) não tem insumos para saber o que é bom ou não para ela, por isso eles precisam de atenção, orientação e correção dos desvios.  

Como diria Rubem Alves, devemos ensinar as crianças a pensar, uma vez desenvolvida essa habilidade, ela terá facilidade de aprender de tudo na vida. Em tempos de divulgação em massa de informações de todo tipo e teor, devemos acrescentar a crítica da informação em nossos esforços em preparar os pequenos para a vida. Para que, ao acessarem uma informação, tenham por hábito checar historicamente se faz sentido o que está sendo veiculado e decidir o que fazer com ela, mesmo que tenha que ir “contra a maré” da maioria.

CORTAM-SE AS PERNAS E VENDEM-SE MULETAS


 

O mundo nunca teve tantas pessoas doentes como hoje, tanto física como mentalmente(excesso de mortes entre jovens e adultos - Dr. John Campbell - YouTube) e índices altos de suicídio em vários países). A superpopulação traz esse tipo de ameaça, onde temos aglomeração de um número muito grande de algum animal, as doenças irão aparecer. No entanto creio que temos outros fatores preponderantes, que acredito serem: excesso de agrotóxicos e químicas debilitantes na água, terra e alimentos, excesso de uso de medicamentos – incluindo nefastos efeitos colaterais de supostos imunizantes - e solos empobrecidos(tiramos da terra e não a alimentamos).

As pessoas buscam solução nos médicos, que por sua vez são formados nas universidades por meio de apostilas de laboratórios farmacêuticos. Não utilizam os conhecimentos de centenas de anos da medicina ocidental nem da milenar medicina oriental. Eles não aprendem a investigar a raiz da doença para curá-la, foram formados para prescrever substâncias químicas, que nem eles mesmos são capazes de prever o impacto delas na saúde de uma pessoa. Ou seja, o “remédio” muitas vezes é a causa de outras doenças, que levam à mais “remédios” e assim o ciclo interminável de doenças se instala. A realidade que vivemos é que vidas humanas estão sendo usadas como combustível para alimentar, com bilhões de dólares, a indústria farmacêutica mundial.  É claramente o ditado “Cortam-se as pernas para se vender muletas, é isso que a indústria farmacêutica mundial está fazendo, indiscriminadamente.

Em uma entrevista com Dr. Emeran Mayer(Diretor e fundador do Centro de Microbioma do Cérebro-intestino da Universidade da Califórnia) ele tem estudado a relação entre doenças físicas e mentais e a saúde da microbiota intestinal. Mas como ter uma microbiota saudável com alimentos contaminados quimicamente? Quando não estão contaminados, o solo às vezes é pobre em nutrientes, como explicou: “Para se ter a mesma variedade/quantidade de nutrientes de uma laranja que se comia em 1950, hoje precisa-se comer oito laranjas”. E assim é com a maior parte dos alimentos de nossa atualidade, com honrosas exceções.

A natureza faz o acerto das desarmonias que ocorrem em meio a seu ciclo de vida e morte. Esse acerto é visto nas terras deserticas e inferteis, nas pragas cada vez mais agressivas e nas doenças que os pesticidas inflingem nos vegetais, animais e humanos. Todo abuso humano tem seu ônus à ser pago com vidas e sofrimento, infelizmente.

Os conglomerados farmacêuticos, juntamente com as grandes empresas de agrotóxicos são validadas pelos donos do mundo que pensam ser imunes aos efeitos dessa violência contra a natureza. Talvez pensem que vão achar outro planeta terra com a brevidade possível e necessária para salvar suas vidas e deixar para trás um planeta violado e corrompido em seu maior valor.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

Verdades Antigas e Atuais

Fotografia de Manuel Vieira

 "As pessoas se contentam com um nível de desespero que podem tolerá-lo e chamar isso de felicidade." 

Soren Kierkegaard (1813 - 1855) 

terça-feira, 9 de janeiro de 2024

 



O Alimento da Alma


"Certamente eu disse, o conhecimento é o alimento da alma; e precisamos ter cuidado, meu amigo, para que o sofista não nos iluda quando elogia o que vende, como os vendedores atacadistas ou varejistas que vendem o alimento para o corpo; pois eles elogiam indiscriminadamente todos os seus artigos, sem saberem quais são os realmente benéficos ou prejudiciais: nem tampouco o sabem os fregueses deles, salvo um educador ou médico que porventura deles compre. 

Analogamente, os que conduzem os produtos do saber, e perambulam pelas cidades, vendem-nos ou distribuem-nos a qualquer freguês o que deles esteja necessitando, elogiando-os da mesma maneira; embora eu não duvide, ó meu amigo, que muitos deles ignorem de fato o efeito deles sobre a alma, da mesma forma que seus fregueses, a menos que o que deles compre seja um médico da alma.

Se, portanto, vós compreendeis o bem e o mal, podeis com segurança adquirir conhecimentos de Protágoras ou de qualquer outro; porém, se não é esse o caso, ó meu amigo, parai e não arrisqueis vossos mais caros interesses em um jogo de azar. Portanto há perigo bem maior na aquisição de conhecimento do que na compra de carne e bebidas..." (Platão, Protágoras)

 

Fotografia de Regys Loureiro de Macedo

OS AMANTES DA ESCRAVIDÃO

Para o controle, doutrinação e sedação massiva da população mundial, a tecnologia se mostrou a droga mais eficaz em todos os sentidos e em todos os tempos historicamente registrados. As redes sociais, canais de “informação” e  “imprensa oficial”, são hoje, seguidas por bilhões de pessoas que não pensam mais, aceitam passivamente o que lhes é apresentado, e pior, replicam e divulgam para outros, como verdade, conteúdos com diferentes abordagem e alguns com objetivos nefastos. O que importa é distrair /sedar massivamente as pessoas e assim elas não perceberão, ou não se importarão com os desmandos dos governos, com as inverdades generalizadas, nem com os ataques a democracia em proporções planetárias.

Cada vez mais as notícias de primeira mão no Google, Bind etc são sobre frivolidades, elegendo cada vez mais “celebridades”, foco das notícias de cunho chulo, com  frequencia e volume assustadores. Sem falar na febre dos videos curtos que mantêm as pessoas sedadas por horas diante da pequena tela.

Indubitavelmente esse processo ocorre de forma mais ampla nos países subdesenvolvidos como o Brasil. Não há crítica da informação em um povo sem recursos intelectuais. Para se avaliar uma informação de forma mais efetiva, precisa-se de alguma bagagem sobre história, geografia e/ou conhecimentos gerais que proporcionem uma análise. Há décadas que não se vê ação no governo brasileiro para melhorar a educação escolar. Faço uma exceção aos  Centros Integrados de Educação Pública (CIEPs),  projeto belissamente estruturado pelo Sr. Darcy Ribeiro em 1983, infelizmente foi decaindo em qualidade até ser descontinuado após alguns anos pelos motivos óbvios. É patente o interesse do governo brasileiro em manter a população ignorante e miserável, receita antiga de manobrar e manter os “currais” eleitorais.

Hoje, enquanto os agricultores da Alemanha estão na maior manifestação do século em Berlim e em outras cidades, esses canais estão divulgando as fofocas e receitas dos “famosos” locais e internacionais. Nenhuma linha sobre as manifestações na França e Holanda também. Não se fala do excesso de mortes no mundo todo, já comprovado estatisticamente, e quando se fala, não mencionam o motivo, claro. Tudo que é realmente importante e esclarecedor nos dias de hoje, precisa ser pesquisado em canais que surgiram para suprir esse déficit de verdade e informações relevantes do Brasil e do mundo.

Os donos do mundo nunca estiveram tão perto do sonho do domínio planetário, entretanto, acredito que o segundo “round” dessa luta será para definir quem afinal será o ditador número um, esse provavelmente desencadeará a terceira guerra mundial.

Cada vez mais a agenda 2030 chega mais perto de ser instaurada e daqui a pouco teremos a seguinte “verdade” aceita pela maioria:

“Você não vai ter nada, vai ser feliz e irá amar a sua escravidão”.


terça-feira, 9 de maio de 2023

 



Brasil braseiro

Helena Erthal

Vou me retirar

Quero partir dessa realidade que amordaça e encarcera.

Quero  estar surda aos abusos e num longo grito, soltar a minha indignação.

Leis manipuladas, juízes que, com canetas afiadas,

cortam a garganta dos que tentam lutar.

 

Muita ganância e estrume nas mentes dos que mandam e

Muita desesperança naqueles que protestaram e estão aprisionados

Sim, serão condenados à pedido da ₴uprema Corte despótica

Esse grupo seleto de repressão  quer se vingar 

das perigosas idosas religiosas, dos estudantes,

farmacêuticos, donas de casa,

pelo delito de expressarem a mais contundente revolta.

 

Cansada da mentalidade que reina,

das guerrinhas políticas em redes sociais, que agem

Como crianças que disputam um brinquedo.

Seria bom se as labaredas desse Brasil, uma vez tornado inferno,

purificassem toda essa iniquidade,

que sobrasse somente os animais e plantas,

imunes às chamas movidas à ambição e poder.

 

Vou para o infinito da minha mente,

Lá me refugiar, quietinha, para que ninguém me ache.

Para que não me torturem com seus discursos programados, cheios de abusos e injustiças

Para que não me alcancem com suas mãos ávidas ao que é dos outros

E assim deixar de ver e ouvir o que de pior o ser humano pode exalar e realizar “em nome do bem comum”.

 

 

segunda-feira, 8 de maio de 2023

 

Antoine Exupéry perto do avião que caiu no Deserto do Saara em 30 de Dezembro de 1935


 “ O império do Homem é interno.” (Antoine de Saint-Exupéry) 


Estou lendo “A terra dos homens” de Antoine de Saint-Exupéry...que livro!! As histórias têm por contexto a segunda guerra mundial, tempo de pessoas intrépidas, que viviam arriscando suas vidas como algo do dia-a-dia. Período onde a Lei não coibia abusos laborais e parecia que as pessoas não os viam dessa forma, e sim como desafios à serem enfrentados.

É um livro de cunho autobiográfico, pois Exupéry começou sua carreira de piloto de linha voando entre Toulouse, Casablanca e Dacar e realmente ajudou a implantar rotas de correio aéreo na África, América do Sul e Atlântico Sul. Percebemos a veracidade desses fatos pela maneira como descreve em detalhes as privações da sede no deserto à beira da morte, como é estar com pessoas que estão indo para o front, entre outras experiências únicas e difíceis de viver.

Ele realmente era destemido e aberto a experiências encantadoras, como em um dos trechos abaixo.

“Obrigado a descer, de outra feita, em uma região de areia espessa, esperava a madrugada. As colinas de ouro ofereciam à lua suas vertentes luminosas, e as vertentes de sombra subiam até os limites da luz. Naquela paisagem deserta de sombra e lua, reinava uma paz de trabalho suspenso e também um silêncio de cilada. No seio desse silêncio, adormeci.

Quando despertei, vi apenas a bacia do céu noturno, porque eu me havia estirado sobre um monte, os braços em cruz. O rosto voltado para aquele aquário de estrelas. Sem compreender ainda o que via, sem saber em que profundeza mergulhava os olhos, fui presa de uma vertigem, sem uma raiz a que me agarrar, sem um teto, um ramos de árvore entre mim e aquela profundeza, solto, largado na queda como um mergulhador.

Mas não caí. Da cabeça aos pés, estava ligado à terra. Sentia uma espécie de apaziguamento, abandonando-lhe o meu peso.  A força da gravidade me aparecia, de repente, soberana como o amor.

 Sentia a terra escorar meus rins, sustentar-me, erguer-me, trasnportar-me no espaço noturno. Descobri-me ligado ao meu astro por um peso semelhante a esse peso que na curva nos liga a um carro, e gozei esse estreitamento admirável, essa solidez, essa segurança. Adivinhei, sob o meu corpo, a curva de meu barco.

Tinha tão perfeita a consciência de estar sendo transportado que teria ouvido sem surpresa subir do fundo das terras a lamentação dos materiais que se reajustam no esforço, o gemido dos velhos veleiros que se chegam ao ancoradouro, o longo, áspero grito das lanchas aflitas. Mas o silêncio continuava na espessura das terras. Mas aquele peso de meu corpo, aquele peso em meus ombros eu o sentia harmonioso, nobre, eternamente uniforme. Eu sentia bem que habitava esta pátria, como os corpos dos forçados das galés, mortos, com seu lastro de chumbo, habitavam o fundo dos mares.

Meditava sobre a minha condição, perdido no deserto e ameaçado, nu entre a areia e as estrelas, afastados por um longo silêncio dos polos de minha vida. Sabia que haveria de gastar, para voltar às minhas terras, dias, semanas, meses, se nenhum avião me encontrasse, se os mouros não me massacrassem no dia seguinte. Não possuía mais nada no mundo. Era apenas um mortal perdido entre a areia e as estrelas, consciente da única doçura de respirar...”

Hoje em dia dificilmente encontraremos pessoas com fibra similar aos “personagens” que viveram aquelas aventuras e vicissitudes, e o mais importante é tentar alimentar em nós uma atitude corajosa e entusiasmada diante da vida.

O que mais me emociona, e sei que raramente encontrarei em outros autores, é o talento em descrever tudo isso pelo modo filosófico, sensível e posso dizer, espiritual. Há uma verdade humana no fundo de cada história, conectada a algo universal e sagrado. E ao longo da leitura vou grifando cada pérola sensível e poética, querendo absorver mais do que minha percepção alcança pois antevejo a riqueza de algo que talvez ainda não consiga enxergar.

É o tipo de livro para se reler de tempos em tempos pois em cada momento diferente de nossas vidas conseguiremos captar novos tesouros.

“Temam menos a morte e mais a vida insuficiente” (Berthold Brecht)


terça-feira, 18 de abril de 2023

 


Querida Flor,

Quando você nasceu vimos seu vigor nos primeiros instantes de vida, berrava mais que todos no berçário e deu um chute na tampa da incubadora, só pra avisar que não aceitará facilmente as limitações que lhe impuserem. Essa vitalidade lhe acompanha, mas às vezes você desacredita, e sente-se frágil, como todos nos sentimos de tempos em tempos.

Entenda que você está num momento de vida em que começa a buscar mais do que trabalhar, pagar contas e se entreter com algo no final de semana. A vida é muito mais, mas isso só passa a ser verdade quando a nossa alma grita por mais essência e sentido. A percepção se abre e passa-se a filtrar tudo: pessoas, trabalho, lugares etc. E assim você encontrará os diamantes de sua vida.

O autoconhecimento não é um processo agradável, pois não somos repletos só de coisas boas, temos muitos entraves, qualidades e defeitos. Somos seres diversos, abrigamos vários personagens...desde Madre Teresa de Calcutá ao “mochila de criança”...kkkk. Porém dentro dessa diversidade(palavra desgastada demais), vamos percebendo o que predomina, e montamos assim um cerne, um pilar de orientação em nossas decisões de vida. Acredite nesse pilar, busque aceitar suas decisões pouco agradáveis aos outros e não se recriminar, saiba que só você pode decidir por você.

Temos altos e baixos nessa jornada, chore um dia, uma semana, mas não chore a vida toda. Comemore um dia ou vários, mas a vida não é uma mar de rosas, e até de festa a gente cansa.

A felicidade está em fazer coisas simples de forma especial. E essa forma, cada um tem a sua, de encantar, de vibrar e irradiar.

Hoje você marca mais um ano em sua vida, que isso lhe traga a consciência do maior bem que temos... o tempo de viver com saúde e assim ter o poder de concretizar sonhos, mudar a vida toda se quiser, errar e acertar...MOVIMENTE-SE.

Com amor

Sempre

Sua mãe, Lena  Dancin' Days - YouTube 


segunda-feira, 10 de abril de 2023

Shake

 

Shake

Há mais ou menos dezesseis anos atrás, o Muchu, nosso cachorro, fugiu e não conseguimos encontrá-lo de jeito nenhum. Depois de um tempo desistimos de encontrar o Muchu e a pessoa que trabalhava em nossa casa na época nos trouxe o Shake, novinho, lindo (branco de manchas marrons). Ele chegou lá em casa rejeitado pelo lar anterior, acusação: super bagunceiro!

Realmente era, puxava as roupas estendidas no varal, corria loucamente pelo quintal, urinava em tudo que fazia sombra, fazia buracos, enterrava coisas, uma energia que dava inveja.

Tinha uma relação com minha filha de irmão, arrotava e peidava na cara dela...muito engraçado os dois. Gostava de dar uns bordejos fora de casa e tinha uma ótima conexão com os cães de rua que minha filha cuidava, todos batizados por nós: Pingo, Dentinho e Hiena.

Já com meu marido o Shake teve a grande comunhão, amor mútuo e incondicional.

O que ele mais gostava era de passear conosco na praia, íamos na mais remota para não incomodar ninguém. Ele parecia um bailarino, corria muito e de repente saltava no ar se contorcendo, um bailado fantástico e emocionante. Íamos todos os finais de semana que não chovesse para fazer nossa caminhada, conversar e ver o espetáculo do Shake.

Minha maior aproximação com ele foi quando passei a trabalhar direto só com cerâmica em meu atelier que fica na parte de baixo de minha casa. Todas as manhãs no mesmo horário ele me esperava para descermos juntos a escada, ele gostava de ficar na porta do atelier. Sempre afetuoso com as alunas, muitas se afeiçoaram a ele.

Quem tem um pet sabe como esses seres conseguem captar as nossas emoções e nos ajudam em nossas fragilidade, medos e tristezas. Ele sabia chegar nesses momentos de forma delicada e demonstrando sua sensibilidade para tentar nos animar.

Hoje ele partiu, já cego e muito alquebrado, imagino o sofrimento dessa criatura que foi tão cheio de energia e vitalidade, chegar a essa decreptude...A lição é que todos chegaremos a isso, se não tivermos um fim súbito, o que me parece bem melhor.

segunda-feira, 6 de março de 2023

Auto-estima x Verdade

 


Atualmente enfatiza-se demais a conservação da auto-estima das pessoas em detrimento do enfrentamento das situações de rejeição, fragilidade moral e psicológica. Infelizmente, penso que seja uma fuga da realidade evitarmos revelar aos envolvidos a real situação e/ou razão de insucessos. Inevitavelmente terão que enfrentar algum dia, e essas pessoas ficarão cada vez mais frágeis com o passar do tempo. Obviamente me refiro a comunicar, com tato e respeito, o necessário para a pessoa entender a situação.

Outro efeito dessa falta de transparência nas relações é a reincidência dos erros e falhas, tanto em vivências laborais como afetivas. Afinal não se esclarece os motivos reais e assim as pessoas não sabem como corrigir ou mesmo nem imaginam que estejam precisando ajustar algum comportamento ou atitude.

 Naturalmente não é fácil ouvir críticas, por mais bem colocadas que sejam. Quando é com a gente, temos nossas barreiras de negação,  porém é a única forma de “sacudir” nossas mentes para entrar em reflexão e pesar cada ponto abordado. Essa análise nos possibilita avaliar se temos tal comportamento/atitude com outras pessoas e/ou ambientes; assim iremos elencar exatamente os aspectos relevantes de uma tomada de consciência, e possívelmente criar uma atmosfera mental  propícia para ajustar o nosso ‘modus operandi”.

Esse tema foi abordado, principalmente por ter, recentemente, recebido um feedback negativo de minha mãe sobre a maneira, às vezes, intensa de me expressar e de sentir. Fiquei surpreendida e triste inicialmente mas depois refleti e pude verificar que poderiam ter outras pessoas com o perfil da minha mãe e que eu deveria mudar minha maneira de lidar também.

Só ainda não sei como ficará a qualidade das relações com essas pessoas que irei restringir minha espontaneidade para oferecer um ambiente mais ameno. Digo isso pois quando a gente vai iniciar uma mudança é como falar uma outra língua, primeiro a gente pensa em nosso idioma(agir de nosso jeito original) e depois traduz (filtra) para o outro. Assim, provavelmente serei bem mais calada e pouco expressiva daqui por diante com algumas pessoas, mas depois de longa reflexão, cheguei a conclusão que será mais positivo para mim do para elas. Aprenderei a me expressar espontaneamente somente àquelas que curtem esse meu jeito de ser, estando mais tranquila em manter um ambiente livre de tensões com as outras.

O que me trouxe paz ao fim dessa reflexão foi chegar a conclusão que, apesar dos 59 anos de idade, me percebi aberta a ouvir críticas e buscar mudanças.

Desabastecimento no Reino Unido

quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Capitalismo e liberdade



A prova de como o capitalismo dá certo é demonstrado no ranking acima, onde os países com maior liberdade de comércio, que sofrem  menos controle da economia por parte de seus governos, são os mais prósperos. O Brasil está colocado no 133 no ranking, uma lástima, e agora temos  um ministro da economia formado em Direito...vai ser difícil.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

O Registro Original

 


Cada ser humano possui seu registro original, que inclui o DNA, bem como características, idiossincrasias, que recebemos desde o início da vida. Tudo isso  se  manifesta tanto no corpo, em sua fisiologia como em nossa expressão e comportamento. Não sei dizer se, com o tempo,  realmente alguém chega a ter a capacidade de dominar, mudar ou extirpar as características comportamentais que desgosta.

 Certamente o primeiro passo, como sempre é ter algum auto-conhecimento para conseguir percebê-las e assim apreciá-las de forma verdadeira. Outro, seria verificar qual parâmetro filosófico foi escolhido para distinguir o que deve ser preservado e o quê mudar.

Os insumos que adquiri na educação familiar e formal me auxiliaram enormemente a caminhar com princípios e conceitos de grande valor. O gosto pela leitura foi e é um divisor importante e posso afirmar, fez sim, toda a diferença em grande parte das mudanças ocorridas em minha maneira de pensar e agir. Outro grande auxílio é conviver com pessoas elevadas espiritualmente, acho que meu espírito atrasado, indignado por não ser tão puro ou generoso como o outro, acabou por, fracamente se melhorar em alguns aspectos.

Hoje penso que talvez meu espírito/mente não seja suficientemente forte e/ou persistente pois não consegui alcançar, tanto em profundidade como em conceito, muitos dos avanços que almejei.

Vivendo os meus 59 anos não me sinto muito esperançosa em mudar muito mais, ou mesmo acho que não quero mais extirpar nada de mim. Convivo melhor com a maior parte de minhas limitações e hoje quero tão somente viver em paz com o que consegui avançar no tocante ao respeito ao próximo, e à mim mesma.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

Tratado Geral das Grandezas do Ínfimo - Manoel de Barros




A poesia está guardada nas palavras — é tudo que eu sei.
Meu fado é o de não saber quase tudo.
Sobre o nada eu tenho profundidades.
Não tenho conexões com a realidade.
Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.
Para mim poderoso é aquele que descobre as insignificâncias (do mundo e as nossas).
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.
Fiquei emocionado.
Sou fraco para elogios.

terça-feira, 1 de novembro de 2022

Mais do mesmo...PT, Lula e cia ltda

 


Tudo começará pelo inchaço da máquina pública, voltando então os 69.000 cargos comissionados (ou mais) que a gestão atual extinguiu, virá a multiplicação dos ministérios, os contratos bilionários com a mídia(Globo, CNN etc) para manter uma propaganda massiva sobre o ideal ficcional do Lulismo, comovendo e até convencendo parte do povo de que esse futuro maravilhoso irá acontecer.

Voltará a distribuição de milhões aos mesmos artistas(já ricos) com os supostos incentivos “culturais” em detrimento da ajuda aos artistas anônimos e iniciantes. Toda uma articulação maquiada de investimentos na economia e principalmente na infraestrutura do país, onde acontecem os superfaturamentos que criam os “ralos” onde vertem o dinheiro público sem pesar na consciência de ninguém. Deixarão centenas de obras inacabadas para edificar a inépcia e falta de respeito ao erário.

Após usurparem os cofres que receberão cheios, voltarão os desvios bilionários dos setores da educação e saúde, necessários para mover a corrupção colossal, jurídicamente comprovada em outras gestões, que acompanhará a próxima gestão lulística.

Uma vez quebrados a culpa será da economia e política internacionais, não esquecendo que o governo anterior passou boa parte de seu mandato enxugando gastos públicos usurpantes e outra parte administrando uma pandemia /lockdowns(de dois anos consecutivos) que quebrou financeiramente meio mundo e mesmo assim ainda conseguiu melhor performance financeira em PIB e controle da inflação que alguns países desenvolvidos.

Minha desesperança está na ideia de que esse caminho infelizmente não terá volta, pois a democracia no Brasil já foi comprometida através de alguns ministros do STF, encabeçado por Alexandre de Moraes. Fizeram retornar a prisão de pessoas por “crimes de opinião” e a censura de todos os meios de comunicação que discordarem da narrativa que eles querem implementar. No governo atual temos visibilidade desse estado de coisas, porém no próximo, não teremos, pois estarão, STF e governo Lula, acordados e direcionados para o mesmos objetivos nefastos. Sem o oxigênio da democracia nenhuma sociedade pode prosperar.


quinta-feira, 6 de outubro de 2022

A Verdadeira Arte de Viajar

 


A Verdadeira Arte de Viajar


A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,
Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.
Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali...
Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!

(Mário Quintana -  “A cor do invisível”)

quarta-feira, 28 de setembro de 2022

Ditadura da Toga - Agora no Brasil

 

“As pessoas que obedecem as Leis não têm medo dos órgãos jurídicos e da polícia quando vivem num país democrático”. Tucker Carlson


Essa declaração do jornalista do canal Fox News, parece lugar comum, porém no Brasil vive-se a insegurança de alguém, mesmo os que observam as Leis, de ser punido sem nenhum suporte legal, por deliberações do STF – Supremo Tribunal Federal. Na realidade, esse órgão jurídico máximo, notadamente não está agindo com base em nossas Leis Constitucionais e, portanto, está transformando o país em uma ditadura da toga.

Estamos vivendo uma grande inversão de valores, pois os órgãos que deveriam nos proteger e acatar as Leis Constitucionais, estão agindo como ativistas políticos, dando a perceber que eles querem combater/derrubar(se possível) o poder executivo em curso. Por outro lado, podem também estar planejando instalar esse “poder” lateral, onde eles literalmente “batem o martelo” para o que lhes convier, buscando atender as regras da “agenda”, que até agora não foi discutida, muito menos votada em nenhum referendum popular. Essa “agenda” está sendo colocada “goela abaixo” da população brasileira, um desrespeito sem limites aos direitos do cidadão.

Parece que a maioria do colegiado do STF entende-se como participantes do poder executivo, relativizando os limites de ação de cada poder de nossa República, burlando assim o que a Carta Magna delimita e restringe a cada um deles. Agora cidadãos são investigados e têm sigilos quebrados e recursos bloqueados por “crimes de opinião” e “crimes de cogitação”. Há muito tempo não tínhamos presos políticos por motivos óbvios, mas já contamos com as seguintes prisões políticas: Jurandir, Bronze, Sara Winter, Erica Viana, Arthur Castro, Emerson Mitoshow, Renan Souza, Daniel Miguel, Oswaldo Eustáquio, Daniel Silveira, Roberto Jefferson, Wellington Menezes e Zé Trovão.

Outro grande escândalo foi a operação ordenada pelo ministro do STF, Alexandre de Moraes, contra oito empresários, motivada pela divulgação de suas conversas privadas sobre o apoio a reeleição de Jair Bolsonaro, em um grupo de WhatsApp. Essa “operação” ocasionou em sanções como o bloqueio de contas bancárias de todos os envolvidos e proibição de uso das redes sociais e de expressão em qualquer mídia. Se isso não é censura, eu sou Marilyn Monroe. Este absurdo chegou a ser denunciado pelo jornal americano The New York Times, como abuso e despudor ético por parte do STF brasileiro.

Me perturba verificar o silêncio/omissão, de todas as esferas do segmento jurídico e legistlativo em relação essa grande ruptura da democracia no Brasil. A justiça brasileira está cega sim, ao que diz a nossa Constituição Federal.

Sim, eu quero viver tranquila, sem me preocupar com possíveis ataques ao meu direito de expressão, ou ao de ir e vir e ou mesmo o de usar ou não qualquer tipo de substância, dita científica ou não.