quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Vibração


Ontem li algo sobre “nível expandido de consciência”, no site http://www.portalmonroebrasil.com/ por indicação de um amigo, entusiasmado com o tema. Esse nível de consciência era chamado de “viagens astrais” nos anos 80, a nova abordagem desse tipo de prática sugere diferentes vantagens que podem ser obtidas através do método Monroe.
Na verdade, o que me chamou a atenção não foi exatamente esse assunto, que aliás tive algum contato em minha adolescência, mas sim, quando a pessoa entrevistada fala sobre a vibração energética de cada um, e como a mesma posssui modulações diferenciadas para cada estado de espírito que porventura passamos. Aquela ideia de vibrar “negativo” ou “positivo”.
Acredito que não aconteça tão binariamente assim, a energia que emanamos deve ter seus desdobramentos sim, porém não de forma tão restrita. Concordo que, de acordo com o tipo de vibração, iremos atrair tipos diferentes de situações e pessoas ao nosso convívio e assim, se explicam algumas situações de vida que nos cercam. Por exemplo, quando percebemos uma pessoa que reclama de tudo, e vê problema em todos os setores de sua vida, geralmente é do tipo que tende a ser hipocondríaco e com mania de perseguição...Alguns comentam: “Nossa, tudo acontece com esse cara...”. E acontece mesmo, não é ficção, ele praticamente mentaliza e profetiza, a cada frase sua, as futuras desgraças de sua vida.
Não sou tão mística a ponto de acreditar que se “comanda” exatamente essas coisas, mas faz muita diferença quando nos colocamos num plano mais lúcido, buscando perceber mais antes de rotular pessoas e situações, buscando harmonia e um alinhamento corpo & mente. Yoga, meditação e outras alternativas não são balela, podem mudar diametralmente a forma de viver, pra melhor. Mais do que executar exercícios meditativos e/ou passar dias em um Ashram, precisamos cuidar de nossos pensamentos, e tentarmos, com a disciplina, suprimir o que não nos acrescenta, o que nos faz vibrar de forma ruim, ou seja, tentar expressar seja interna ou externamente somente o que for válido. Fofocas, maledicências ou qualquer outro desrespeito ao próximo, pensado ou verbalizado, devem ser meticulosamente percebidos e assim extirpados de nosso comportamento. Buscar o aprimoramento da percepção, contar com uma disposição positiva diante da vida. Concordo que a empreitada é difícil...Mas vamos tentando, entre um escorregão e alguns passos adiante, chegando mais próximos de algo melhor.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

A ausência do tempo


Certas atividades nos remetem a uma sensação antiga, de quando brincávamos de algo realmente prazeiro em nossa infância... A ideia de tempo e as outras sensações desaparecem e percebemos somente o nosso “fazer”. Como num transe avançamos em ondas de inspiração e insights que contribuem para aquela “obra”. Tudo acontece em um outro nível de consciência, porém, só percebemos nossa "ausência", quando retornamos.

Dedique-se a uma atividade que te dá a sensação que o tempo parou e conheça o porque de sua presença na terra.

Se eu pudesse...


Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
Seria mais feliz um momento ...
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural...
Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva ...
O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja ...

(Autor: Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XXI" Heterônimo de Fernando Pessoa)

A impermanência

Só pensamos na dificuldade de adaptação a qualquer restrição quando estamos nela. Restrições materiais normalmente são mais contornáveis, porém a restrição física seja por doença ou qualquer situação de impedimento parcial ou múltiplo, é dureza.
Poucas pessoas realmente percebem-se saudáveis e aptas no decorrer dos “bons tempos”. Essa consciência é fundamental mas geralmente não acontece.
Na verdade, costumamos nos queixar de não ter tempo para fazer o que realmente gostamos mas no fundo temos aí somente uma questão de prioridade, não de impossibilidade.

A ideia budista da impermanência ilustra perfeitamente o que quero dizer. Ora estamos de um jeito e de repente as coisas mudam...Viver o momento, aproveitar ao máximo nossas possibilidades buscando nos realizar, curtir as pessoas que estão conosco, é o grande barato.
Por outro lado a impermanência nos presenteia com a perspectiva de mudança quando as coisas não estão boas, ou seja, não tem mal que não acabe também.
Viver a impermanência é aprender a viver.