sábado, 31 de outubro de 2026

 



“O homem só tem um interesse verdadeiro,

e este é o desenvolvimento total de suas 

potencialidades como ser humano.”

(“A Análise do Homem” – Erich Fromm - pag 119)


Acho que o ser humano, em termos da grande massa populacional, não se interessa mais em saber ou desenvolver suas potencialidades. O pouco interesse no autoconhecimento e a compulsão para o consumo, leva o homem para a ideia de querer somente gerar dinheiro e gastá-lo num ciclo interminável, como o hamster na rodinha.


Estamos tão rasos assim? Creio que os dispositivos tecnológicos estão prejudicando a percepção humana mais do que as pesquisas mostram. O sustento digno de nossas vidas é condição de sobrevivência, indiscutível. No entanto, o homem sempre se gabou de seu intelecto, sua capacidade criativa e inventiva. Pessoas simples buscavam soluções e as encontravam, usando seu engenho, muitas vezes sem contar com educação formal. Isso porque existia a curiosidade científica, que nunca foi território restrito aos cientistas PHDs. Conheci um senhor, que cursou somente as quatro primeiras séries e descobriu PI sozinho. Foi o primeiro a instalar sozinho uma turbina para gerar energia em seu pequeno vilarejo. Construiu casas e pontes, consagrou-se mais engenheiro que muitos diplomados. Isso se deu com ele por que conseguiu perceber e seguir sua vocação. Ele teve uma vida modesta, digna e cheia de conquistas incríveis!

Ninguém mais quer esse tipo de vida, os valores mudaram para a maioria. Poucas pessoas buscam conhecer e desenvolver suas potencialidades. Não imaginam que uma vez no caminho, com persistência e determinação, pode-se chegar ao inimaginável, o que para mim, é a grande aventura da vida!

CARTA A UMA AMIGA

 

                                        

“Mas cada um cumpre o Destino –
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.”

(Eros e Pisque – Fernando Pessoa)


        Querida Amiga,

A questão que levantei sobre o(s) “motivo(s) que nos leva(m) a acordar todos os dias”, é realmente, uma reflexão bem complexa, que está além da nossa consciência, permeia nosso inconsciente desde a infância.

Hoje pela manhã, do nada, me veio uma memória dos meus oito anos mais ou menos. Gosto de enfatizar que não sou saudosista, e não vejo sentido em ficar recordando coisas do passado, a não ser pelo aprendizado.

Eu estava na fazenda, onde nós cinco tínhamos companhia para brincar junto aos dez filhos do empregado. Minha companhia de brincadeira era a Luiza, mas naquela manhã não fui até ela. Olhei para a bicicleta velha dos meus irmãos e quis passear, mas não sabia andar, e vivia pedindo para alguém me levar na garupa, o que só despertava nos outros má vontade. Então resolvi aprender sozinha. Entre quedas e raladas de joelho, atravessei o dia, numa teimosia feroz para alcançar meu intento.

Lembro-me, ao entardecer, eu na bicicleta dando voltas intermináveis ao redor da casa, numa febre de conquista, bochechas quentes, e uma sensação de real poder, como se tivesse conquistado o mundo.

Em cada fase da vida, creio que o ser humano tem lembranças de teor similar, onde nossa energia vital, “cumpre o seu Destino, pelo processo divino, que faz existir a estrada”. Analogamente, é a energia da semente que contém a árvore, que lançará seus galhos de determinada maneira e formato, resistindo ou não às ações do ambiente.

Penso que, uma das formas de trazer à consciência os motivos de ativar nossa energia vital para o momento atual, é lembrarmos que temos esse poder de conquista. E para perceber qual seria o foco da conquista, precisamos estar Despertos, em relação ao nosso corpo físico, a nossa mente e principalmente ao autoconhecimento. Lembrar ou perceber que estamos num processo Divino, respeitar(e até reverenciar) esse fato, nos ajuda a compreender e aceitar melhor os momentos que passamos(bons ou ruins).

 
Forte Abraço,
Sempre,
Lena